sexta-feira, 8 de novembro de 2013

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Quando machucamos uma pessoa que amamos, às vezes continuamos a machucá-la até que ela também nos machuque, pois isso ameniza o mal-estar e a culpa por a termos machucado.

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Viver é como entrar em uma caverna inundada e nela se perder com um tanque de oxigênio às costas, sem saber exatamente até quando ele vai durar. Tentar sair da caverna é pura perda de tempo e a única certeza é de que o oxigênio, que não sabemos de onde veio, um dia acabará. Enquanto não acaba, e independente de quando isso vai acontecer, o que vale a pena é ir aos pouquinhos descobrindo as belezas escondidas na caverna, torná-la um lugar mais agradável para se viver e interagir com aqueles que também estão com seus tanquinhos às costas. Algumas coisas que fazemos, tanto conosco quanto com os outros, furam nossos tanques e deixam o ar escapar, às vezes lentamente, às vezes de uma vez só. Quando isso acontece, é importante consertar logo, ainda que para tanto seja preciso pedir algum tipo de ajuda. Não há nenhuma evidência de que exista algo a mais fora da caverna. Portanto, cuidemos bem dela.

domingo, 13 de outubro de 2013

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Animais humanos mais velhos, ao garantirem sua própria sobrevivência na competição com os mais jovens, teriam sido responsáveis pelas origens das culturas no planeta há centenas de milhares de anos?

Como viviam animais humanos há cem mil anos? E há duzentos mil anos? Não há nenhuma descrição que possa lançar luz a esses questionamentos. Os registros mais antigos que temos são vestígios de fogueiras que datam de cerca de trezentos mil anos, e acampamentos e pinturas rupestres que datam de aproximadamente cem mil anos. Tais registros sugerem que nossos ancestrais caçavam e que viviam em pequenos grupos. O registro comprovadamente mais antigo de nossos ancestrais é um fóssil de crânio de hominídeo que data de cerca de sete milhões de anos.

Sabemos que há uma história natural de nossa espécie no planeta em que vivemos. Quando observamos o comportamento de indivíduos de outras espécies, e mesmo dos de nossa própria espécie, constatamos como comportamentos agressivos muitas vezes têm valor de sobrevivência. É plausível supormos que ancestrais humanos, quando ainda não havia repertórios verbais elaborados, agiam de modos agressivos ao se relacionarem uns com os outros. Apenas conseguiam procriar aqueles animais humanos que, ao longo de sua história, submetiam seus semelhantes por meio de comportamentos agressivos. A disputa entre machos possivelmente teve um papel importante na seleção entre aqueles mais aptos à luta.

É plausível supormos também que o animal humano, quando filhote, para que viesse a sobreviver, convivia durante um longo tempo com o grupo de seus progenitores. O bico do seio materno constituía um estímulo apetitivo desde seu nascimento. Filhotes sensíveis ao bico dos seios maternos e que apresentavam reflexo de sucção, ao longo de gerações e gerações, tinham probabilidade maior de sobreviver e procriar, de modo a gerarem proles com sensibilidades inatas similares às suas próprias. Após alguns anos de relação muito próxima com a mãe, à medida que crescia, o filhote humano tornava-se mais apto para a luta, passando então a competir com outros machos e também com seu próprio progenitor, que, por sua vez, necessariamente estava mais envelhecido e menos apto para a luta. Sugar o bico do seio materno tornava-se gradualmente um comportamento socialmente inapropriado, que produzia contextos de conflitos e agressões entre machos. As especulações de Freud em Totem e Tabu, ainda que passíveis de várias críticas, especialmente em relação àquilo que o autor chamou de memória arcaica, em termos gerais apontam para algumas possibilidades que não são de todo implausíveis.

Para que machos mais velhos viessem a sobreviver, era importante que adquirissem repertórios comportamentais não agressivos, possivelmente constituídos por vocalizações ou comportamentos gestuais verbais. Machos humanos mais velhos detinham conhecimentos sobre o mundo que poderiam ser vitais, de modo que sua sobrevivência poderia aumentar as chances de sobrevivência do próprio grupo. Grupos em que machos mais velhos fossem frequentemente mortos em lutas com rivais mais jovens teriam menos chances de sobreviver, uma vez que importantes estratégias de sobrevivência pereceriam junto com os mais velhos.

É possível que, dentre a variabilidade comportamental que aumentava as chances de sobrevivência de machos mais velhos, estivesse presente o comportamento de prever a ocorrência de eventos naturais. Se machos mais velhos, ao demonstrarem seu conhecimento sobre o mundo e sua capacidade de previsão de eventos naturais, impressionavam machos mais jovens, é plausível supormos que utilizavam tal artifício a seu favor em contextos que lhes garantissem sobrevivência. Tais comportamentos poderiam envolver vocalizações emitidas em contextos específicos, como, por exemplo, a sinalização do risco iminente da presença de predadores, de animais peçonhentos, de contextos favoráveis à obtenção de alimentos, à caça etc. Aprende-se a confiar naqueles que preveem riscos ou sinalizam fontes de reforçamento positivo. Talvez o comportamento de confiar seja, em certo sentido, incompatível com comportamentos agressivos, ou possa diminuir as chances de sua ocorrência, o que aumentaria então as chances de sobrevivência do grupo.

Machos mais velhos poderiam também prever o surgimento e a localização no céu de um astro brilhante como Vênus, a iminência do som de trovões logo após a ocorrência de raios, o efeito de plantas venenosas, mudanças das estações do ano, etc. Do mesmo modo que um mágico exerce controle sobre uma audiência ingênua quanto à possibilidade do uso de truques, machos mais velhos, conhecedores de inúmeras relações entre eventos naturais, poderiam convencer os demais membros do grupo de que certos eventos naturais seriam produzidos por suas próprias intervenções. Surgiriam assim os primeiros indivíduos humanos que exerceriam funções semelhantes às de sacerdotes, xamãs ou pajés.

Se tais relações possibilitaram a sobrevivência dos machos mais velhos nos pequenos grupos de animais humanos há centenas de milhares de anos, talvez tenham também contribuído para o surgimento e a perpetuação das culturas humanas no planeta. A proibição do acesso de machos mais jovens às fêmeas poderia ser estabelecida como uma condição necessária para que o grupo vivesse em maior segurança. Aproximações que permitissem relações sexuais entre machos mais jovens e determinadas fêmeas do grupo teriam de ser precedidas pela aprovação de machos mais velhos. Teríamos aí então os primeiros rituais que selariam a interdição de certos comportamentos nas relações entre os membros do grupo. Agredir o líder ou fazer sexo sem o seu consentimento tornaram-se tabus, apoiados em ilusões de controles mágicos de machos mais velhos sobre o mundo. Tais rituais foram mantidos, uma vez que garantiam maiores chances de sobrevivência aos grupos nos quais machos eram capazes de sobreviver por mais tempo.

À medida que o comportamento verbal tornou-se mais e mais complexo, animais humanos passaram a descrever relações entre eventos temporalmente mais e mais distantes. John Lubbock, em 1868, em seu livro The Origin of Civilisation and the Primitive Condition of Man, sugeriu que a má compreensão do sonho poderia estar na origem do dualismo corpo/alma. Imaginemos uma fêmea humana cujo filhote foi morto por um predador, e que, ao dormir, sonhe com este filhote agindo como se estivesse vivo. O que ela pensaria ao acordar? O que relataria aos outros animais humanos? Possivelmente pensaria que seu filhote, mesmo morto, havia aparecido e interagido com ela. Caso ela, no dia seguinte, viesse a ver o corpo de seu filhote morto, o que pensaria? Talvez viesse a pensar que, ainda que o corpo de seu filhote estivesse ali, inerte, de algum modo inexplicável, interagira com ela durante o sono. Tal contexto estabeleceria ocasião para a descrição de que existiam dois diferentes mundos: um mundo em que apenas os vivos interagem entre si e um mundo em que os mortos também interagem com os vivos.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

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Dava

E num dado momento,
inundado momento de ideias frouxas,
a garotinha agora tinha versos
feitos em sua intenção.
Corava e orava,
e o coração pranteava
o que a oração cortava.
E não dava... Inundava...
A volúpia enxurrava
o que a fé enxugava.
E, então, levada, dava.

domingo, 26 de maio de 2013

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Sobre o preconceito –

Algo que nos pode levar a questionar o chamado preconceito é quando os chamados preconceituosos alegam serem vítimas de preconceito justamente por pensarem de modo preconceituoso. Isso nos leva a pensar que toda e qualquer opinião é, teoricamente, um preconceito. As próprias palavras empregadas em uma fala contrária a uma fala preconceituosa são também constituídas de pré-conceitos. Há quem diga que toda e qualquer palavra de todo e qualquer idioma é um pré-conceito, e é difícil para aqueles que estudam o fenômeno da aprendizagem e do comportamento verbal argumentarem contra essa assertiva, que parece ser uma constatação. No entanto, talvez aquilo que chamamos de preconceito vá além do comportamento verbal. Poderíamos nos questionar se estaria agindo de modo preconceituoso um cão que nunca viu uma pessoa negra e que late com estranheza ao ver um negro entrando em seu território. Estaria agindo de modo preconceituoso um bebê que chora ao ser carregado por uma pessoa com uma grande deformidade facial, diferente de todas as pessoas que ele até então já tenha visto? Considero que não. As noções do que é ou não preconceito são aprendidas na cultura em que se nasce e se aprende. Ou seja, são também preconceitos. Compete a nós definirmos, de modos cuidadosos, quais os preconceitos que devem ser culturalmente mantidos e quais aqueles que devemos considerar perniciosos para a sobrevivência do animal humano nesse planeta em que vivemos.

domingo, 14 de abril de 2013

22

A cordialidade é um trunfo para aqueles que têm razão em uma discussão.

terça-feira, 9 de abril de 2013

21

A noção de um legislador cósmico se tornou necessária quando nossos ancestrais humanos perceberam que muito do que sentiam era incompatível com a vida em comunidade.

terça-feira, 26 de março de 2013

20

As palavras causal e casual muitas vezes são produto de um mero lapso de digitação. Nada nos permite inferir, no entanto, que tal lapso tenha sido um acaso incausado. As causas podem ser de tal modo irrelevantes que não chegamos a nos ocupar delas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

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Biblia Pauperum

http://www.wdl.org/pt/item/8972/#time_periods=-8000-499&page=6

No auge do lucro da Igreja Católica com a venda de indulgências, pouco antes da reforma protestante, e muito antes dos atuais Malafaias e Felicianos encherem seus bolsos com o dinheiro de seus rebanhos, já havia, entre os alemães, aqueles que queriam levar "a verdade" aos iletrados. Esta Biblia Pauperum (Bíblia dos pobres) é um exemplo. Faz pensar nos sacerdotes egípcios, que alegavam que as pessoas, ao morrerem, só teriam paz na outra vida se fossem sepultadas com múmias de animais. Vendiam então múmias falsas de crocodilos, pássaros e gatos, recheadas de madeira e palha. Os golpes desses sacerdotes egípcios só foram desvendados mais de dois milênios depois, com exames de raios X.

Serão necessários mais dois milênios para que gerações futuras venham a desvendar os golpes perpetrados pelos sacerdotes atuais em suas promessas de salvação e milagres? Se até a luz das estrelas distantes precisa de tempo para chegar até nós, tenhamos paciência para esperar a lenta modificação das culturas dos animaizinhos humanos nesse planetinha perdido.... Mas saibamos construir, utilizar e divulgar às novas gerações os telescópios que herdamos daqueles que tiveram o privilégio de observar além! É tempo de desenrolar as múmias, de desvendar os interesses que sempre há por trás das noções de bem e mal defendidas por aqueles que mantêm culturas mumificadas.