Sobre o preconceito –
Algo que nos pode levar a questionar o chamado preconceito é quando os chamados preconceituosos alegam serem vítimas de preconceito justamente por pensarem de modo preconceituoso. Isso nos leva a pensar que toda e qualquer opinião é, teoricamente, um preconceito. As próprias palavras empregadas em uma fala contrária a uma fala preconceituosa são também constituídas de pré-conceitos. Há quem diga que toda e qualquer palavra de todo e qualquer idioma é um pré-conceito, e é difícil para aqueles que estudam o fenômeno da aprendizagem e do comportamento verbal argumentarem contra essa assertiva, que parece ser uma constatação. No entanto, talvez aquilo que chamamos de preconceito vá além do comportamento verbal. Poderíamos nos questionar se estaria agindo de modo preconceituoso um cão que nunca viu uma pessoa negra e que late com estranheza ao ver um negro entrando em seu território. Estaria agindo de modo preconceituoso um bebê que chora ao ser carregado por uma pessoa com uma grande deformidade facial, diferente de todas as pessoas que ele até então já tenha visto? Considero que não. As noções do que é ou não preconceito são aprendidas na cultura em que se nasce e se aprende. Ou seja, são também preconceitos. Compete a nós definirmos, de modos cuidadosos, quais os preconceitos que devem ser culturalmente mantidos e quais aqueles que devemos considerar perniciosos para a sobrevivência do animal humano nesse planeta em que vivemos.